O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, esteve reunido nesta segunda-feira (27) com o presidente do Banco de Brasília, Nelson Antônio de Souza, para debater o andamento das medidas de socorro ao BRB. O encontro reservado ocorreu em meio aos desdobramentos da crise provocada por operações financeiras vinculadas ao Banco Master.
Também participaram da audiência o diretor de Fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino Santos, e a diretora de Controle e Riscos da instituição brasiliense, Ana Paula Teixeira de Sousa. De acordo com a agenda oficial, o compromisso tratou de pautas institucionais, sem comunicados emitidos após o encerramento.
Pendências financeiras e garantias
O diálogo entre as autoridades acontece no momento em que a instituição distrital aguarda a liberação de um montante de R$ 6,6 bilhões. O valor faz parte de um pacote estruturado para cobrir os prejuízos com o Banco Master, formalizado por acordo no Supremo Tribunal Federal (STF).
Além desse aporte, o Governo do Distrito Federal precisará aplicar R$ 2,2 bilhões em recursos próprios. A efetivação do resgate, contudo, permanece condicionada à formalização de contratos com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e à definição de contragarantias à União.
Exigências e entraves na operação
As negociações enfrentam resistências do setor privado. Instituições bancárias participantes solicitam que Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil prestem garantias adicionais, repassando o risco de eventual inadimplência aos bancos públicos federais.
Em paralelo, a instituição financeira enfrenta sérias restrições de liquidez. Recentemente, no dia 17, o BRB rescindiu um contrato de R$ 15 bilhões com a gestora Quadra Capital, operação que visava trocar ativos ilíquidos por recursos à vista.
Balanço e posicionamento do governo
Outro obstáculo central é a falta de publicação do balanço financeiro referente ao exercício de 2025. A auditoria independente e a divulgação das demonstrações relativas ao período são exigências fundamentais do processo. Devido ao atraso na prestação de contas, o banco vem sofrendo sanções administrativas e multas aplicadas pelo órgão regulador.
Sobre o impacto dos papéis no patrimônio do banco, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que a instituição adquiriu carteiras sem valor de mercado. Segundo Durigan, o BRB "basicamente passou R$ 12 bilhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada".

Portal Guia Brasil
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se