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Segunda-feira, 27 de Julho 2026
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Setor produtivo clama por cortes mais robustos na Selic

Indústria, comércio e sindicatos argumentam que o patamar elevado dos juros continua a estrangular a economia.

Setor produtivo clama por cortes mais robustos na Selic
© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
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A recente diminuição de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), foi avaliada como aquém do necessário por organizações do setor produtivo e lideranças sindicais. Eles alertam para as consequências adversas dessa decisão sobre o volume de investimentos, o poder de consumo e a geração de renda.

Embora a Selic tenha sido ajustada de 14,75% para 14,50% anuais, as referidas entidades reiteram que o patamar dos juros permanece excessivamente alto, exercendo uma pressão contínua sobre a atividade econômica nacional.

Indústria

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou que o corte foi modesto, perpetuando um custo de crédito elevado. Segundo a CNI, essa situação prejudica os investimentos e a capacidade competitiva do segmento industrial.

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Ricardo Alban, presidente da CNI, declarou: “O custo do capital persistirá em um patamar proibitivo, impedindo a concretização de projetos e investimentos essenciais para impulsionar a competitividade da indústria.”

A CNI também destacou a crescente fragilidade financeira de empresas e núcleos familiares. “O endividamento de empresas e famílias atinge recordes sucessivos, minando a solidez financeira de todo o sistema econômico”, acrescentou a confederação.

Comércio

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) igualmente defendeu que o Banco Central detinha a prerrogativa de efetuar uma redução mais substancial na taxa de juros.

Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, afirmou: “O Banco Central, já na reunião anterior, tinha condições de ter aprofundado o relaxamento da política monetária.”

Conforme Queiroz, o nível atual da Selic impõe um ônus severo à atividade econômica. Ele observou: “Observamos um número elevado de empresas em processo de recuperação judicial, o endividamento familiar em ascensão e um encarecimento no serviço da dívida.”

A APAS ainda salientou o impacto dos juros nos investimentos. “Existe um forte incentivo ao capital especulativo, em detrimento do desenvolvimento do setor produtivo”, ponderou a associação.

Centrais sindicais

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) expressou desaprovação quanto à lentidão na queda da Selic, enfatizando que a política monetária afeta diretamente a capacidade de compra dos cidadãos.

Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, declarou: “Uma redução de 0,25% é ínfima. O patamar de endividamento das famílias já é alarmante.”

Ela sublinhou a influência da taxa básica sobre todo o sistema financeiro. “Quando a Selic aumenta, as instituições bancárias elevam o custo do crédito. Quando diminui, o crédito se torna mais acessível, mas esta diminuição ainda se mostra inadequada”, explicou.

A Força Sindical, por sua vez, também considerou a deliberação insuficiente, apontando para as repercussões desfavoráveis sobre a economia nacional.

Em comunicado, a entidade afirmou: “A diminuição foi cautelosa e preserva os juros em um nível excessivamente alto.”

De acordo com a central, a estratégia de juros elevados impacta diretamente o desenvolvimento do país. “Os juros restringem o fluxo de investimentos, desaceleram a produção e prejudicam a criação de postos de trabalho e a geração de renda”, enfatizou.

A Força Sindical também associou o atual panorama ao endividamento das famílias. “O elevado índice de endividamento está intrinsecamente conectado ao custo proibitivo do crédito”, finalizou.

Pressão por novos cortes

Embora representem segmentos distintos, as diversas entidades concordam que existe margem para uma aceleração na redução da taxa básica de juros.

O consenso entre a indústria, o comércio e os representantes dos trabalhadores reside no diagnóstico de que o patamar vigente da Selic ainda impõe obstáculos significativos ao avanço econômico, à concessão de crédito e ao consumo doméstico.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil

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