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Segunda-feira, 15 de Junho 2026

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Comissão aprova veto a leilão e penhora de bens culturais tombados

A proposta legislativa avança na Câmara dos Deputados para proteger espaços de valor histórico e imaterial.

Comissão aprova veto a leilão e penhora de bens culturais tombados
Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
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A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados deu sinal verde ao Projeto de Lei 66/2026, de autoria do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). O texto visa impedir a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis que são cruciais para a conservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos oficialmente.

Essa proibição será aplicada sempre que a medida de expropriação puder comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural; alterar a destinação do espaço de maneira incompatível com sua função cultural; ou descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra abrange execuções de natureza fiscal, trabalhista, cível ou administrativa, tanto contra entidades públicas quanto privadas. O projeto tem como objetivo salvaguardar o que se denomina "espaço cultural essencial", ou seja, qualquer imóvel, seja público ou particular, que desempenhe um papel indispensável na manutenção desses bens patrimoniais.

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Caso já exista um processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão envolvendo um desses bens, o magistrado ou a autoridade competente terá a obrigação de suspender a ação imediatamente.

A determinação da suspensão pode ser feita de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de uma entidade que represente a comunidade diretamente envolvida.

É importante ressaltar que a suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto prioriza a busca por soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que contrarie a suspensão deverá ser justificada de forma explícita, sob pena de nulidade.

Exceções

O projeto prevê exceções à proibição, mas elas só serão válidas se forem cumpridos, de forma cumulativa, os seguintes requisitos: um parecer técnico favorável do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de um órgão cultural competente; a realização de um estudo de impacto cultural, social e econômico, com a participação ativa da comunidade; e a autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — seja o Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, de acordo com o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá analisar a historicidade da prática, os laços sociais e identitários com o espaço, a viabilidade de continuidade em outro local e os impactos sobre o trabalho e a renda. A ausência de qualquer um desses requisitos resultará na nulidade do ato.

Alternativas à expropriação

O poder público deverá dar preferência a alternativas que garantam a preservação do espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade, e a formalização de convênios ou parcerias voltadas para a sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias utilizou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro – local que abriga o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por legislação federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil – como um exemplo concreto do problema que a proposta busca solucionar.

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. "A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais", declarou.

Sâmia Bomfim destacou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, promovendo o diálogo e o consenso.

Próximos passos

A proposição será ainda examinada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, necessita da aprovação tanto da Câmara quanto do Senado.

Acompanhe o processo de tramitação de projetos de lei

FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias
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