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Sexta-feira, 31 de Julho 2026
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Especialistas dizem que não há como ligar El Niño aos ventos fortes no Sudeste

Rajadas de vento de até 105 km/h causaram estragos e mortes em SP e RJ, mas meteorologistas exigem mais estudos antes de culpar o evento climático.

Especialistas dizem que não há como ligar El Niño aos ventos fortes no Sudeste
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Especialistas em meteorologia afirmaram que ainda não é possível associar as intensas ventanias registradas em São Paulo e no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (30) ao fenômeno El Niño. Os ventos violentos, que provocaram mortes e graves estragos na Região Sudeste, atingiram marcas de até 105 km/h na capital fluminense, causados por uma instabilidade atmosférica específica.

De acordo com Suellen Araujo, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a ventania decorreu da formação de uma zona de baixa pressão atmosférica. O fenômeno esteve diretamente associado ao deslocamento de ar nas camadas superiores da atmosfera, processo conhecido tecnicamente como escoamento.

A especialista do Inmet explicou que o alinhamento desses fatores favoreceu a criação de uma forte instabilidade no tempo. Como resultado, ambos os estados enfrentaram rajadas de vento que chegaram perto dos 100 km/h de forma generalizada.

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Por sua vez, o coordenador de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, pontuou que o vendaval teve origem em uma linha de instabilidade gerada sobre uma frente fria no Sul do país.

Segundo Seluchi, essa sequência de tempestades alinhadas deu origem a uma frente de rajada. Esse fluxo avança mais rapidamente do que as próprias nuvens carregadas, fazendo com que a ventania chegue antes mesmo da ocorrência da chuva de fato.

O pesquisador exemplificou que, no Vale do Paraíba, em São Paulo, as precipitações foram fracas e ocorreram apenas entre o fim da tarde e a noite. A tempestade perdeu força ao se deslocar da Região Sul em direção ao norte.

Relação complexa com o El Niño

Apesar da expectativa de que a atual temporada do El Niño seja uma das mais intensas dos últimos 76 anos, segundo a NOAA, tanto o Inmet quanto o Cemaden ressaltam a necessidade de análises mais detalhadas para confirmar qualquer vínculo direto.

Marcelo Seluchi ponderou que existe uma influência indireta, já que o fenômeno aumenta a frequência de frentes estacionárias e chuvas no Sul. Contudo, ele lembrou que linhas de instabilidade e ventanias acontecem em qualquer época do ano, mesmo sem o aquecimento do Pacífico.

Na mesma linha, o meteorologista Thiago Sousa, pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), reforçou que apenas novos estudos científicos poderão comprovar ou descartar a relação entre o evento recente e o Super El Niño.

FONTE/CRÉDITOS: Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil

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