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Quarta-feira, 13 de Maio 2026

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Governo defende intervenção 'cirúrgica' em plataformas digitais durante audiência na Câmara

Setor privado expressa preocupação de que custos de adequação regulatória possam ser transferidos aos consumidores

Governo defende intervenção 'cirúrgica' em plataformas digitais durante audiência na Câmara
Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
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João Brant, secretário de Políticas Digitais da Secom/Presidência da República, declarou na última quarta-feira (13) que a proposta de regulamentação das plataformas digitais (PL 4675/25) terá um impacto "cirúrgico" na economia. Durante uma audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados, ele detalhou que o objetivo é remover obstáculos no setor e garantir a competitividade, evitando a imposição de normas excessivamente severas ou a paralisação do progresso tecnológico.

Brant ressaltou que "o projeto de lei é menos rigoroso que o modelo europeu, compreendendo que uma solução universal não é apropriada, mas sim uma atuação direcionada para resolver pontos críticos. A intenção é alcançar um equilíbrio que não resulte em uma regulamentação mais severa do que o indispensável, valorizando a concorrência leal".

Em fase de votação no Plenário, o projeto confere ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a prerrogativa de instituir novas modalidades de procedimentos e de exigir novas obrigações de plataformas digitais que registrem um faturamento anual acima de R$ 5 bilhões em território nacional.

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Com o intuito de salvaguardar a competitividade, essas corporações — designadas como de importância sistêmica — serão impedidas de implementar condutas como a imposição de barreiras a outras marcas ou a promoção preferencial de seus próprios produtos.

Modelos de negócio

Paulo Henrique de Oliveira, assessor técnico da presidência do Cade, explicitou que o PL não se concentra em mídias sociais ou na moderação de conteúdo, mas sim em modelos de negócios.

Ele enfatizou que "o Cade, em toda a sua trajetória, nunca tratou de um caso envolvendo qualquer tipo de rede social. A esfera e o propósito do controle concorrencial não abrangem ações de conteúdo em nenhuma plataforma. O Cade se ocupa de modelos de negócio e da dinâmica da concorrência".

Segundo Oliveira, a fiscalização de mercado realizada atualmente pelo conselho, de natureza posterior (ex-post), mostra-se ineficaz frente à agilidade do ambiente digital.

Como exemplo dessa insuficiência, ele mencionou um inquérito iniciado pelo órgão em 2019 para analisar a interação entre plataformas de busca e o setor jornalístico. Conforme seu relato, a investigação levou aproximadamente sete anos para alcançar uma deliberação preliminar e, ao ser finalizada, o modelo de negócio em questão já não existia mais.

Ele comparou: "No universo da concorrência, trabalhar com o conjunto de instrumentos que o Cade possui é como a física newtoniana. Já lidar com mercados digitais assemelha-se à física quântica. É a mesma essência, mas a ferramenta não se aplica perfeitamente, e enfrentamos desafios de adaptação".

Transparência

Renata Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), defendeu a fiscalização dos algoritmos por entidades reguladoras, uma provisão contemplada no projeto. Para ela, as plataformas devem demonstrar a aderência às diretrizes operacionais.

Ela declarou: "Deveres como a diligência e a moderação de conteúdo não podem ser implementados sem um elevado nível de transparência que capacite tanto o setor público quanto a sociedade a monitorar se as plataformas estão cumprindo suas responsabilidades ou se estão as utilizando de forma indevida por motivações econômicas ou políticas".

Custos

Em contrapartida, Sérgio Alves, representante da Associação Latino-Americana de Internet (Alai), expressou críticas ao regime de urgência do PL e advertiu que os custos de conformidade podem ser transferidos aos usuários, além de potencialmente diminuir a inovação.

Ele destacou que "um estudo de impacto regulatório concluiu que o projeto acarreta um custo considerável no processo de adaptação das empresas, um encargo que pode ser repassado aos consumidores, com a possibilidade de um impacto na redução da inovação no Brasil, o que, com grande probabilidade, reflete a abrangência atual do texto".

Equilíbrio

O deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI), proponente da audiência, enfatizou a premência do assunto, visto que a operação das plataformas influencia diretamente a concorrência, o fluxo econômico e a salvaguarda dos consumidores.

Alencar reiterou que "o propósito principal deste evento é evidenciar que o Parlamento está receptivo ao diálogo com a sociedade civil, a comunidade técnica, a academia e o setor produtivo, visando a elaboração de soluções balanceadas e alinhadas aos desafios da economia digital atual".

FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias
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