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Sexta-feira, 05 de Junho 2026

Notícias/Economia

Associações brasileiras contestam política tarifária dos EUA para o etanol

Unica e Bioenergia Brasil esclarecem que tarifas nacionais seguem diretrizes do Mercosul, em resposta à proposta dos EUA de taxar em 25% as importações brasileiras.

Associações brasileiras contestam política tarifária dos EUA para o etanol
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), juntamente com a Bioenergia Brasil, manifestou-se a respeito das indagações levantadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) acerca da entrada do etanol norte-americano no mercado nacional.

Em comunicado oficial, ambas as associações enfatizaram que a alíquota imposta pelo Brasil sobre o etanol estrangeiro não visa especificamente os Estados Unidos, mas sim adere aos preceitos da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul.

As entidades também apontaram que o governo dos Estados Unidos tem mantido, por várias décadas, políticas protecionistas para o açúcar, o que limita significativamente a exportação do produto brasileiro para o mercado norte-americano.

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“É fundamental destacar que os Estados Unidos, por décadas, implementam medidas de proteção ao seu setor açucareiro, utilizando um arranjo de tarifas restritivas e cotas que reduzem as vendas do açúcar brasileiro para o mercado norte-americano a um patamar inferior a 1% do total exportado pelo Brasil”, detalha o comunicado conjunto das associações.

A manifestação da Unica e da Bioenergia surge em um contexto onde o governo norte-americano propõe a aplicação de uma nova tarifa punitiva de 25% sobre produtos importados do Brasil, sob a justificativa de que certas práticas comerciais brasileiras seriam consideradas desleais.

Essa medida é fundamentada em uma investigação iniciada em julho de 2025 pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que concluiu que as políticas e condutas comerciais brasileiras são “injustificadas” e “prejudicam ou limitam” o intercâmbio comercial com os Estados Unidos.

O inquérito do USTR analisou diversas áreas, incluindo comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, como o Pix; a concessão de privilégios tarifários; a salvaguarda da propriedade intelectual; as ações anticorrupção; o acesso ao mercado de etanol; e o desmatamento ilícito.

O USTR alega que, em relação a esses aspectos, empresas e exportações dos EUA estariam sendo lesadas, o que poderia levar o Brasil a sofrer sanções.

Em seu comunicado, as associações do Brasil ressaltaram a importância estratégica do etanol nacional no cenário global da transição energética.

“O etanol produzido no Brasil é amplamente reconhecido globalmente como uma das alternativas mais eficazes para a descarbonização do setor de transportes. Ele conjuga baixa intensidade de carbono, parâmetros de sustentabilidade sólidos e verificáveis, e uma contribuição significativa para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa. É um biocombustível que se alinha perfeitamente com as principais pautas mundiais de transição energética, segurança no abastecimento e progresso sustentável”, afirmaram as entidades.

As associações também argumentaram que quaisquer “discrepâncias comerciais” devem ser resolvidas através do diálogo e da negociação, a fim de preservar a relação bilateral, que é historicamente valiosa para ambas as nações.

“A Unica e a Bioenergia Brasil reiteram sua convicção de que o governo brasileiro continuará a gerir este processo com seriedade, determinação e habilidade diplomática, protegendo os interesses estratégicos da nação”, concluíram.

FONTE/CRÉDITOS: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
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