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Sexta-feira, 05 de Junho 2026

Notícias/Economia

Exportações brasileiras para os Estados Unidos registram queda de 14% em maio

O volume de vendas para o mercado norte-americano tem diminuído progressivamente desde a implementação das tarifas pelo governo de Donald Trump em agosto do ano anterior.

Exportações brasileiras para os Estados Unidos registram queda de 14% em maio
© Wilson Dias/Agência Brasil
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As exportações do Brasil para os Estados Unidos apresentaram uma retração de 14% em maio, comparativamente ao mesmo período de 2025, conforme dados divulgados na última quarta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Este declínio nas vendas para o mercado norte-americano é uma tendência observada desde agosto do ano passado, quando as tarifas implementadas pela administração de Donald Trump entraram em vigor.

Apesar dessa diminuição, Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, salientou que os dados atuais não são suficientes para afirmar a ocorrência de uma alteração estrutural nas relações comerciais entre as duas nações.

Brandão explicou que "é prematuro discorrer sobre uma mudança estrutural". Ele detalhou que os fluxos de comércio internacional demandam um período para se ajustarem, sendo fortemente influenciados pela composição da pauta. Produtos sob encomenda podem sentir um impacto mais acentuado, enquanto commodities e alimentos, que dominam grande parte da pauta com os Estados Unidos – incluindo petróleo, celulose, combustíveis, carne e café –, tendem a ser mais resilientes. O diretor reconheceu que um aumento nos custos pode levar a uma contração temporária do fluxo, mas que uma recuperação rápida é possível.

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O diretor ainda destacou que a velocidade da queda nas exportações destinadas aos Estados Unidos tem mostrado um arrefecimento nos últimos meses.

Ele detalhou a evolução da retração: "A maior queda foi registrada em outubro, atingindo 35%. Em janeiro, a diminuição foi de 26%, e esse ritmo de desaceleração tem se atenuado progressivamente: 20% em fevereiro, 10% em março, 10% em abril e, finalmente, 14% em maio".

Comércio com EUA

As informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic indicam que o intercâmbio comercial bilateral demonstrou uma desaceleração em maio.

  • Exportações para os EUA: US$ 3,09 bilhões (redução de 14%)
  • Importações dos EUA: US$ 3,21 bilhões (queda de 11%)
  • Déficit comercial em maio: US$ 121 milhões

No acumulado de janeiro a maio:

  • Exportações: US$ 14,01 bilhões (redução de 16%)
  • Importações: US$ 15,48 bilhões (diminuição de 12,6%)
  • Déficit comercial: US$ 1,47 bilhão

A fatia dos Estados Unidos no total das exportações brasileiras também sofreu um decréscimo, caindo de 12% em maio de 2025 para 9,7% no mesmo mês do ano corrente.

China ganha espaço

Em contraste com a redução dos envios para os Estados Unidos, a China consolidou sua posição como o principal comprador das exportações brasileiras.

No mês de maio, as vendas para a nação asiática registraram um crescimento de 9,5%, totalizando US$ 10,5 bilhões. As importações, por sua vez, tiveram um aumento de 24,2%, atingindo US$ 6,8 bilhões.

Este desempenho resultou em um superávit comercial de US$ 3,7 bilhões para o Brasil no período.

Nos cinco primeiros meses do ano:

  • Exportações: US$ 43,26 bilhões (aumento de 21,8%)
  • Importações: US$ 30,76 bilhões (avanço de 4,1%)
  • Superávit: US$ 15,5 bilhões

A parcela da China na pauta exportadora brasileira cresceu, passando de 32,1% para 32,9% ao longo desses cinco meses.

Petróleo em destaque

Herlon Brandão também associou o expressivo crescimento das exportações de combustíveis derivados de petróleo, impulsionadas pela indústria de transformação, ao cenário de conflito no Oriente Médio.

De acordo com o diretor, as interrupções na oferta resultantes da guerra contribuíram para a elevação dos preços globais, o que, por sua vez, alavancou o valor das exportações brasileiras.

Em maio:

  • As exportações de óleos combustíveis registraram um aumento de 75,2% em volume;
  • O valor correspondente a essas exportações expandiu-se em 49,8%.

Contudo, as exportações de petróleo bruto apresentaram uma diminuição de 9,3% em valor e uma retração de 42,1% no volume embarcado em maio, em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Conforme o diretor do Mdic, essa oscilação é considerada pontual e não possui ligação com a taxa de exportação instituída pelo governo para o produto.

Brandão assegurou que "o Brasil demonstra grande competitividade. A imposição do imposto de exportação não deverá afetar a oferta brasileira para o mercado externo, especialmente em um contexto de preços elevados. As empresas mantêm a produção de petróleo e os investimentos prosseguem".

Para ilustrar seu ponto, Brandão mencionou a inauguração de uma nova plataforma de produção de petróleo em fevereiro deste ano.

Saldo comercial

Durante os primeiros cinco meses de 2026, o Brasil registrou um superávit comercial acumulado de US$ 32,662 bilhões, um valor superior aos US$ 24,33 bilhões observados no mesmo intervalo do ano anterior.

Este resultado positivo foi majoritariamente impulsionado pelo incremento das exportações para a China e pela performance robusta de produtos associados ao setor de energia e commodities (mercadorias primárias com valor de mercado internacional).

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
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