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Quarta-feira, 13 de Maio 2026

Notícias/Economia

Petrobras prioriza elevação da produção para atenuar impacto da crise no Oriente Médio

A estatal afirma que não pretende realizar alterações abruptas nos preços dos combustíveis no Brasil, mesmo diante da volatilidade internacional.

Petrobras prioriza elevação da produção para atenuar impacto da crise no Oriente Médio
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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A Petrobras não planeja realizar ajustes súbitos nos valores dos combustíveis comercializados no Brasil, mesmo com a valorização do petróleo no mercado global, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. Conforme a presidente da empresa, Magda Chambriard, a estratégia da estatal foca na expansão da produção para assegurar a estabilidade energética nacional.

“A Petrobras tem se dedicado a intensificar a produção de derivados de petróleo para o mercado interno, uma iniciativa que ganhou ainda mais relevância a partir de março, em meio ao cenário de conflito no Irã”, declarou Chambriard nesta terça-feira (12), em evento no Rio de Janeiro.

“Alterações bruscas nos repasses de preços não fazem parte de nossos planos”, complementou a executiva, durante coletiva de imprensa para apresentar o balanço financeiro da companhia.

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O início dos confrontos entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, intensificou as tensões em uma área crucial para a produção petrolífera global. A região, rica em nações produtoras, inclui o Estreito de Ormuz, um corredor marítimo vital no sul do Irã que enfrentou interrupções. Antes do conflito, aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo e gás natural transitava por essa passagem.

A instabilidade na cadeia de suprimentos resultou na redução da disponibilidade de óleo cru e seus derivados globalmente, provocando uma acentuada alta nos preços. O valor do barril de Brent, benchmark internacional, disparou de US$ 70 para mais de US$ 100, alcançando picos próximos a US$ 120.

Como uma commodity, o petróleo é negociado conforme as cotações internacionais. Consequentemente, a valorização do produto impacta o Brasil, apesar de ser um país produtor.

Para conter a alta nos valores no mercado doméstico, o governo federal implementou ações como a desoneração de impostos federais incidentes sobre os combustíveis e a concessão de subvenções econômicas (um tipo de compensação) a produtores e distribuidores.

Gasolina e etanol

Desde o começo do conflito, a Petrobras efetuou reajustes nos preços do óleo diesel, combustível essencial para caminhões e ônibus, e do querosene de aviação (QAV).

A gasolina, por sua vez, não teve seu preço alterado. Ao ser indagada sobre uma eventual elevação para acompanhar a tendência de alta internacional, a presidente mencionou que a empresa acompanha não apenas os preços, mas também sua fatia de mercado (market share) e a competitividade frente ao etanol.

“Contamos com a concorrência do etanol, cujo preço recuou em quinze dias. O Brasil possui uma frota flex, permitindo que o motorista decida no momento do abastecimento qual combustível utilizar”, detalhou.

Magda Chambriard ainda acrescentou que a produção de gasolina da empresa é suficiente para suprir a demanda nacional. O Brasil tanto importa quanto exporta esse tipo de combustível.

Angelica Laureano, diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, esclareceu que a decisão de um eventual aumento no preço da gasolina não está atrelada à aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 67/2026. Esse PLP, em tramitação no Senado, visa zerar as alíquotas de PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis para mitigar a alta dos valores.

“Caso a empresa conclua que o preço atual não corresponde persistentemente às nossas projeções, faremos o reajuste; o PLP, por sua vez, pode ser um recurso para auxiliar a não transferir esse custo ao consumidor”, declarou a diretora.

Atualmente, o preço se encontra “equilibrado”, assegurou a diretora.

Desempenho

A presidente da Petrobras ressaltou o notável desempenho operacional da companhia, que alcançou um volume recorde na produção de óleo e gás. No primeiro trimestre, a produção superou em 16,1% o resultado do mesmo período do ano anterior.

Segundo Chambriard, o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias ultrapassou os 100%, marcando o maior índice desde dezembro de 2014.

O FUT é uma métrica que avalia o nível de produção das refinarias. A Petrobras explica que, embora as refinarias possuam capacidades máximas de projeto e de referência, é viável operar acima desses limites com a devida autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o órgão regulador federal do setor.

A companhia também informou que está investindo na confiabilidade de suas instalações e que o ano de 2026 prevê um menor volume de manutenções programadas (paradas).

Lucro

A Petrobras reportou um lucro de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Esse montante representa mais que o dobro (110%) do resultado apurado no último trimestre de 2025, que foi de R$ 15,6 bilhões.

Contudo, em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior (R$ 35,2 bilhões), o lucro apresentou uma retração de 7,2%.

Magda Chambriard atribuiu essa diferença negativa à variação cambial. Quando o cálculo é feito em dólar, o lucro da empresa demonstra uma ligeira elevação.

“Existe um impacto cambial que não afeta diretamente o fluxo de caixa da companhia”, explicou.

O relatório financeiro também indicou que os investimentos da empresa somaram R$ 26,8 bilhões, um crescimento de 25,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

A dívida da Petrobras atingiu US$ 71,2 bilhões (o equivalente a R$ 350 bilhões) no trimestre, representando um aumento de 10,8% na comparação anual. No entanto, esse valor permanece dentro do teto estabelecido no plano de negócios 2026-2030, que é de US$ 75 bilhões.

O preço médio do barril de petróleo Brent, referência global, foi de US$ 80,61, um valor 26,6% superior ao registrado no último trimestre de 2025.

De acordo com o comunicado da companhia, a recente valorização dos preços do petróleo e a produção recorde não se traduziram nas receitas do primeiro trimestre.

“No mercado asiático, por exemplo, que é o principal destino de nossas exportações, a precificação geralmente se baseia nas cotações do mês anterior à chegada da carga”, explicou a nota.

“Dessa forma, a alta nos preços do petróleo, observada após o início do conflito no Oriente Médio, será percebida nas exportações do segundo trimestre”, concluiu o comunicado aos investidores.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
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