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Sexta-feira, 19 de Junho 2026

Notícias/Economia

Setores empresariais e trabalhistas veem corte da Selic como insuficiente

Confederações da indústria e dos trabalhadores, juntamente com o setor da construção, defendem a continuidade da redução dos juros. A decisão de ajustar a taxa básica de 14,50% para 14,25% ao ano foi tomada pelo Comitê de Política Monetária.

Setores empresariais e trabalhistas veem corte da Selic como insuficiente
© José Cruz/Agência Brasil
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O ajuste de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros da economia, a Selic, foi avaliado como inadequado por importantes organizações, incluindo a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Na visão dessas representações da indústria e do trabalho, a diminuição dos juros não possui a capacidade de alterar o cenário de estagnação dos investimentos e não responde às demandas cruciais do Brasil e de sua população.

A alteração da Selic, que passou de 14,50% para 14,25% ao ano, foi comunicada na última quarta-feira (17) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

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A CNI argumenta que a diminuição não auxilia na mitigação da pressão financeira que afeta tanto as empresas quanto as famílias.

De acordo com o presidente da CNI, Ricardo Alban, “enquanto as taxas de juros reais se mantiverem em patamares tão elevados, favorecendo diretamente o capital especulativo, o custo do crédito continuará a inviabilizar os projetos de produção e ampliação industrial. Similarmente, a medida revela-se ineficaz para desafogar os orçamentos de famílias, empresas e do próprio governo, que permanecerão sufocados pelo serviço da dívida, postergando a recuperação do consumo e do investimento e a eliminação do risco de inadimplência”.

A Confederação Nacional da Indústria considera que, em virtude do recente acordo entre Estados Unidos e Irã para o término do conflito, o Banco Central teria margem para acelerar o ritmo de redução da Selic no próximo encontro.

“O encerramento provável do conflito já reflete na diminuição do valor do petróleo — um fator que vinha exercendo pressão sobre os custos das cadeias produtivas em escala global. Ao remover o principal elemento de influência sobre as projeções de preços e juros, cria-se um cenário mais propício para a flexibilização da política monetária”, acrescentou Alban.

Redução considerada tímida

Para a CUT, a maior central sindical do Brasil, o corte é modesto e não satisfaz as demandas prementes da nação e de sua população. Conforme a entidade, a estratégia monetária do Banco Central desconsidera os indicadores econômicos favoráveis no Brasil e as melhorias no panorama global, como a recente baixa no preço do petróleo.

“A manutenção dos juros neste nível exorbitante persiste em asfixiar o setor produtivo, elevando o custo do crédito e prejudicando diretamente os trabalhadores, que continuam a arcar com os custos da lógica rentista”, afirma um comunicado da central.

A CUT também declarou que a diminuição de meros 0,25 ponto percentual na taxa de juros evidencia as fragilidades e os riscos do modelo atual de autonomia do Banco Central, que, em sua visão, submete o país à especulação financeira.

“Juros reais em patamares tão elevados desviam verbas públicas que seriam destinadas ao financiamento da saúde, educação e infraestrutura, direcionando-as para o serviço da dívida junto aos grandes detentores de capital. O progresso nacional e a criação de postos de trabalho de qualidade demandam uma redução significativa da taxa de juros, e não apenas uma nova concessão aos interesses do mercado”, manifestou a CUT.

Necessidade de continuidade

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) avalia a queda da taxa Selic como um passo positivo, contudo, ressalta a importância de que esse movimento seja mantido.

Conforme a entidade, o patamar atual dos juros ainda representa obstáculos consideráveis para a atividade econômica e para a recuperação dos investimentos.

“A persistência do processo de flexibilização monetária representa um indicativo favorável para a economia. Contudo, a Selic ainda se encontra em um patamar restritivo, o que eleva o custo do crédito, posterga decisões de investimento e impede um desenvolvimento econômico mais robusto”, declarou Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC.

FONTE/CRÉDITOS: Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil 
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